Curadoria de Filmes
Instituição
MIS - Museu da Imagem e do Som de Campinas
Período
Desde 2005
O Porquê
Despertei o interesse em frequentar o MIS na época da faculdade em meados de 2005, quando soube que além de difundir e preservar o acervo da memória audiovisual da cidade de Campinas, ele abrigava cinéfilos da região com a exibição de filmes gratuitos, que não eram vistos no circuito comercial.
Após um hiato, voltando a frequentar o museu em 2014, soube que havia sido criado um abaixo-assinado online contra o suposto fechamento do Cinema Topázio, no antigo Shopping Prado, em Campinas, um dos poucos espaços na cidade que tinha uma programação alternativa de cinema.
Foi aí que o movimento cineclubista que ocupava o MIS se mobilizou para uma manifestação a favor da conclusão da sala de cinema Glauber Rocha (prometida e iniciada em governos passados), em prol de uma sala de cinema digna, além de melhores condições de acesso por meio de iluminação adequada, estacionamento, segurança e melhor infraestrutura, com acessibilidade para portadores de deficiência física.
Desde o 1º manifesto, que aconteceu em 31 de janeiro de 2015, eu nunca mais deixei o MIS e passei de simples frequentadora a uma das curadoras mais antigas do movimento cineclubista do museu.

Week-end (Week-end à francesa)
França, 1967 - Direção de Jean-Luc Godard

Organizadores do 1º Manifesto em favor da Sala Glauber Rocha
do MIS Campinas
Campinas, 31 de janeiro de 2015
A 1ª Curadoria
a gente nunca esquece...
Ciclo “1968 – O CINEMA EM TEMPOS DE REVOLUÇÃO”
de agosto a novembro de 2015
“1968” foi o ano bissexto mais louco e enigmático do século XX. Tornou-se mítico porque esse ano foi o ponto de partida para uma série de transformações políticas, éticas, sexuais e comportamentais, que afetaram as sociedades da época de uma maneira irreversível. Seria o marco para os movimentos ecologistas, feministas, das organizações não-governamentais (ONGs) e dos defensores das minorias e dos direitos humanos. Dificilmente outro ano da história do cinema ou da própria história mundial permite que se faça um recorte tão interessante para se discutir as relações que a arte estabelece com o seu tempo. Alguns dos maiores diretores do cinema mundial lançavam filmes que não só definiriam suas carreiras, como também seriam decisivos para a futura trajetória da arte cinematográfica. (Fonte: Imagem-Tempo)
Ao comparar os filmes produzidos e lançados entre 1967 e 1969 com acontecimentos e fatos históricos do mesmo período, no Ciclo “1968 – O Cinema em Tempos de Revolução” objetivava-se refletir sobre os imaginários estéticos e sociais dos anos 60, traçando também um paralelo com a atualidade, convidando o espectador a pensar a respeito desse importante papel social do cinema e da forma como ele se mantém presente nos filmes de ontem, hoje e amanhã.



Do It Yourself!
Ciclo “FAÇA VOCÊ MESMO! 40 ANOS DE PUNK ROCK”
de setembro a novembro de 2016
Em 1976 o Movimento Punk explodia com força na Inglaterra, chegando para quebrar os paradigmas estabelecidos no começo dos anos 70, quando o rock estava em um processo de sofisticação com o progressivo, o art rock e todo um virtuosismo que já não fazia mais sentido para garotos da classe média baixa que levariam anos para aprender a tocar ‘Stairway to Heaven’, por exemplo. A atitude punk virou arma valiosa de reinvenção no rock. Décadas depois de seu surgimento, quase que atemporal, ele ainda impera como a manifestação mais visceral da cultura jovem do século XX.
No Ciclo “Faça Você Mesmo! 40 Anos de Punk Rock” objetivava-se refletir sobre os imaginários estéticos, políticos e sociais do Movimento Punk, traçando também um paralelo com a atualidade, convidando o espectador a pensar a respeito desse importante papel social do cinema e da forma como ele se mantém presente nos filmes de ontem, hoje e amanhã.
“FAÇA VOCÊ MESMO!”
A política DIY ("do it yourself", ou "faça você mesmo") pregava que músicos e fãs não dependiam de grandes corporações. Dessa ideologia, surgiram as gravadoras independentes e os fanzines, que ganharam popularidade e respeito. O DIY se expandiu para a moda e para o design – eram comuns pôsteres, flyers e roupas feitos à mão.
Mulheres Históricas
Ciclo "MULHERES QUE FIZERAM A DIFERENÇA NA HISTÓRIA"
de outubro a dezembro de 2018
A forma de fazer cinema está avançando e com isso, cresce o número de obras que retratam o feminismo com histórias de mulheres e lutas, que nos inspiram a querer um mundo melhor.
O Ciclo "Mulheres que Fizeram a Diferença na História" queria valorizar personagens femininas independentes com a principal missão de discutir o combate às desigualdades e a desvalorização das mulheres.

Toda mulher é meio Leila Diniz...
Mostra "ROSA CHOQUE" - uma homenagem a Rita Lee
julho de 2023
Em homenagem a cantora, o Coletivo Cineclubista do MIS celebrou a carreira de Rita Lee, uma das lendas vivas da música brasileira, organizando uma mostra que aconteceu em julho de 2023, dois meses após seu falecimento. A mostra contou com exposições de vários discos de vinil, recortes de jornais e revistas, fanzines e outros itens colecionáveis da carreira da artista, desde os tempos do Grupo Mutantes.
Na mostra foram exibidos todos os filmes que tiveram a participação de Rita, entre curtas e longas metragens.

Agnès Varda
1928 - 2019
Totalmente Premiada!
Ciclo “FERNANDA TORRES"
março de 2025
Com a vitória de “Ainda Estou Aqui” no Oscar 2025, na categoria de Melhor Filme Internacional e se tornando a primeira produção brasileira a alcançar o prestigiado e cobiçado prêmio, os principais veículos de cinema e o público voltaram suas atenções à performance de Fernanda Torres que, segundo o diretor Walter Salles, é a “alma do filme”. Portanto, o momento atual torna-se propício para uma retrospectiva da carreira cinematográfica da atriz que, desde os anos 80, desenvolve uma sólida trajetória nas telonas, circulando entre diversos gêneros e trabalhando ao lado de cineastas de renome como Arnaldo Jabor, Walter Lima Jr. e Bruno Barreto.
Na semana de abertura do ciclo, tivemos os destaques: “Inocência”, de 1983, estreia da atriz no cinema, como a personagem título numa realização de época e inspirada no cultuado romance de Visconde de Taunay; “A marvada carne”, um dos filmes mais adorados pelo público dentro da carreira da atriz e uma homenagem a cultura interiorana brasileira; “Eu sei que vou te amar”, que rendeu à Fernanda o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes de 1986 e “A guerra de um homem”, única produção internacional da qual Fernanda Torres participa e contracena com o renomado ator Anthony Hopkins.
Na segunda semana: “O judeu”, coprodução portuguesa, que demorou para entrar no circuito comercial do Brasil; “Terra estrangeira”, um clássico imprescindível que marca a primeira parceria da atriz com o cineasta Walter Salles, tornando-se um marco do período conhecido como “retomada do cinema brasileiro” e, “O que é isso, companheiro?”, considerado um dos grandes filmes sobre a ditadura militar brasileira, foi o terceiro filme brasileiro a receber indicação ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, um dos trabalhos mais importantes de Fernanda no cinema.
Na última semana, veio à sala do MIS filmes como “Redentor”, “Gêmeas” e “Casa de areia”, onde Fernanda foi dirigida por seu irmão, Cláudio Torres e pelo marido, Andrucha Waddington, respectivamente. “Saneamento básico – o filme”, encerrou a mostra; uma hilariante comédia que conta com um elenco estelar e a direção segura de Jorge Furtado.

Favela: A vida na pobreza
Brasil, 1971 - Direção de Christa Gottmann-Elter
Nós Não Precisamos
de Outra Heroína...
Ciclo "TINA TURNER"
julho de 2023
Em homenagem a cantora, o Coletivo Cineclubista do MIS celebrou a carreira de Tina Turner, uma das lendas vivas da música brasileira, organizando um ciclo que aconteceu em julho de 2023, dois meses após seu falecimento.
No ciclo foram exibidos quase todos os filmes que tiveram a participação de Tina, entre ficções e não ficções, desde 1971.

Feito Por Elas
Ciclo “MULHERES NA DIREÇÃO"
de março de 2019 - atualmente
O cinema é uma arte e uma indústria que nasceu e se desenvolveu voltando-se para narrativas masculinas. Produzido pelos e para os homens, reservou para as mulheres um lugar de subjugação - nas telas e nos sets - que vem sendo constantemente questionado e transgredido nos últimos tempos.
A San Diego State University mostrou que mulheres foram diretoras de apenas 16% dos 250 maiores filmes de 2024. A pesquisa é a mais abrangente e longeva sobre a representação feminina nos bastidores de produções nos Estados Unidos e já se estende por 27 anos.
O estudo aponta que em 2024, 70% dos filmes empregaram 10 ou mais homens em papéis essenciais de bastidores de filme. A porcentagem de 10 ou mais mulheres que ocuparam a mesma função foi de 8%. Em 2019 esse número era ainda menor.
Com o objetivo de colocar luz sobre esse assunto, divulgando e exibindo os trabalhos das mulheres que fazem cinema e assim colocando o público em contato com essa indústria feminina, nasceu em 2019 o Ciclo "Mulheres na Direção", tornando-se em 2024, o Cineclube Mulheres na Direção.

Fernanda Torres
Globo de Ouro de 2025

O Cineclube
MULHERES NA DIREÇÃO
O Cineclube Mulheres na Direção ganhou seu próprio nome em 2024, após cinco anos de exibição de filmes dirigidos por mulheres e debates pós sessões no MIS Campinas.
Devido a desigualdade de gênero no cinema citada acima, especialmente por trás das câmeras, criou-se este cineclube. Além de fortalecer a cultura cinematográfica, promovendo o pensamento crítico e estímulo a formação de plateias, o objetivo principal é dar espaço às mulheres que fazem cinema, colocando o público em contato com o trabalho delas.
Desde 2019, já foram exibidos filmes dirigidos por grandes e emergentes diretoras: Laís Bodanzky, Greta Gerwig, Lúcia Murat, Céline Sciamma, Sofia Coppola, Agnès Varda, e tantas outras.